segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Learning about #BMGen with Alex Osterwalder in Rio de Janeiro


Last thursday and friday I was at the Business Model MasterClass in Rio de Janeiro to learn from the source about how to put design thinking into the thinking we do when we think about business.

This two days workshop was a great moment to rethink about how we think about Business and how we can talk with others about them.

About the First day

The first day morning we had some introduction about the concepts given by Cassiano Farani one of the owners of CoreBusiness Strategy, a business model consulting firm. At the afternoon Prof. Marcelo Salim, a successful entrepreneur and now Ibmec Business School professor gave us a little more insight about business modeling itself, walked us on some cases and then he presented in my opinion one of the nicest things about the business model canvas, how to plug it into an hypotesis testing process like Steve Blank's Customer Development and Eric Ries Lean Startup.

I was thrilled to see that there are foward thiking guys inside business academy which in general I don't hold too much respect, as I see that too much of it is so deep into a paradigm that in my view is harmful.

I some very deep assumptions about the world are harmful and are the root of much of the world natural resources depletion we see around us and a factor that creates unsustainability for us all.

The second day
On the second day Alex Osterwalder himself gave us a lot of insights about why the business canvas is like it is. One of the nice things is that he has a very well structured workshop, with a really step by step way to lead you by the concepts that make BM very powerful.

One of the most prevalent things that happen in the business world is using meetings seating around a table each one of us with their own notes, using spoken language alone to try to discuss about how our businesses work or how it should work, or about a new business we wan't to put together.

Spoken language is not enogh to get to "common" understanding on how a business works.

Using planning, linear and convergent thinking too soon gets us in trouble when we are dealing with disruptive innovation, which is the kind of innovation were too much of the problem space and the solution space it's not already known. Planning is the kind of tool that does not lead with the unkown unkowns.

An Open Letter to Alex

Thanks for the great workshop!

It's always very empowering seeing change agents helping people see different, which in my view is the most powerful thing we can do to solve most of the current problems the world is facing, which is mostly caused by the ways of thinking that were so "sucessfull" for the last 200 years, but now we are experiencing their "undesired effects".

I'm really concerned with how people and organizations are trapped in inefective ways of thinking and doing in the new economic environment we are living, repeating things that don't work, but don't know better ways or can't see better ways as their paradigm is not allowing them to break free from those patterns.

It was great to see you perform your magic and hope that design thiking applied to business can start healing our busienss environment and business people start design businesses which are a little more sustainable.

I don't really know your motives, for doing what you are doing, but I sincerelly hope that this can help bring more balance, more wholeness, and can restore some of the problems that the excess in cartesian thinking adopted in huge scale had impacted our world.

Thanks also for all who made this possible.

domingo, 28 de agosto de 2011

Uma nova Venture Germinando


Em 1 de setembro começamos a operação da Germinadora, que é um sistema para o desenvolvimento de Tech Startups que conta com espaços de cowork + eventos + educação + studio + cafe, bem perto da Praça Cruz Vermelha no Bairro da Lapa, próximo do Centro de Rio de Janeiro, onde queremos ajudar aqueles que estão criando um novo negocio ou produto de tecnologia seja numa corporate ou numa garagem.

Esta nova venture se confunde um pouco com minha historia já que sou empreendedor em tecnologia desde os 13 anos, quando me tornei oficialmente um unschooler, já que me neguei a aceitar que PI era 3.1415... "por definição" e segui os conselhos do Taichi Onho sem o conhecer... e continuei perguntando "Porque?" ate ser mandado para a Diretoria, o dia seguinte foi o meu ultimo dia na escola porque achei um absurdo que o local que deveria ser para aprender não tinha espaço para isso, somente para ensinar, e eu deveria simplesmente acatar sem questionar.

Naquele ano comecei a trabalhar, fazia um pouco de desenvolvimento em assembly de 8086, também comecei a mexer com C e desenvolvi um sistema para odontologia em Clipper. Depois me juntei a dois irmãos, os dois na faixa dos 30 anos, que tinham uma loja de venta de software para Commodore e projetamos, produzimos e vendemos hardware para computadores Amiga, eu tinha uns 14 anos na época.

Uns três anos depois foi co-fundador de um dos maiores BBS da Argentina que depois transformamos em provedor de Internet.

Mudei para Brasil e co-fundei um ISP em sampa que não deu muito certo, era 1996, como o pessoal tinha fibra e linhas telefônicas eu acabei fundando uma empresa de desenvolvimento de soluções para telecomunicações onde tivemos relativamente bastante sucesso, com soluções para enquetes e sorteios pela TV, assim conheci o Ratinho, a Ana Maria Braga e outros, a Caixa Econômica e Justiça não curtiram muito o assunto e a cobrança em conta foi declarada ilegal, não demorei muito para ter que mandar toda minha equipe embora, e logicamente quebrar e passar um ou dois anos quase sem sair de casa deprimido.

Quando consegui sair desenvolvi um software para callcenters porem não deu muito certo, acabei pegando com minha equipe um projeto para recuperar em C++ embarcado e que teria um belo contrato de manutenção por cinco anos, porem quando entreguei o software, gente mais esperta acabou contratando a minha equipe e ficaram com o contrato de manutenção e voltei a quebrar.
Depois disso li o livro do Pai Rio Pai Pobre e enloqueci e passei a abrir negocios como quem chupa bala... tentei abrir negócios em outras áreas para ver se o problema era esse, e assim publiquei uma revista "Object Magazine", abri uma factoring, montei um callcenter, lancei produtos na TV, o TPM+, ajudei a desenvolver uma rede de marketing de rede com mais de 500 pessoas, tentei clonar o shake da Herbalife o WheatGold, foram alguns anos muito prolíficos... muita atividade, pouco resultado...

Depois de ter quebrado com tudo isso tentei me empregar na área de desenvolvimento de software, para tentar pagar as dividas de tudo o que fiz, sempre fui muito bom em desenvolvimento e achei que voltar a ser funcionário, coisa que fui dos meus 18 aos meus 22 anos, poderia ser bom para ficar um pouco quetinho no meu canto, porem em uns seis meses fui mandado embora de três empresas diferentes, dado que o meu estilo de gestão e de engenharia de software era completamente diferente e criava muito ruido para acima, não tinha muita experiencia em "organizações" e como se encaixar nelas... porem sabia como formar equipes de alto desempenho e desenvolver software de uma forma simples, uma forma que otimizava a simplicidade para se manter flexível e rápido, conforme íamos descobrindo qual era realmente o produto que deveríamos ter adivinhado que deveríamos desenvolver.

Com muita frustração passei a me perguntar o que eu realmente queria deixar na minha vida, estava lendo na época o "Oitavo Habito" de Stephen Covey, e a pergunta era clara... qual seria meu legado... pelo que seria lembrado no dia do meu funeral.... e cheguei a uma conclusão, eu deveria empregar o meu tempo e os meus talentos para tentar "reformar" / "transformar" três coisas que me frustravam muito e que na minha opinião o status quo esta completamente desatualizado e as lições que se ensinam perpetuam o passado e inibem o futuro de chegar mais rápido e são contraproducentes para a nova economia do conhecimento, e eu era isso... finalmente eu era um trabalhador / empreendedor da era do conhecimento, um bicho diferente.

As três coisas que eu deveria tentar "reformar" eram nada menos do que a Gestão em Software, o Empreendedorismo e a Educação, com as quais estava completamente insatisfeito e o pior é que eu tinha uma clara ideia do que deveria ser feito, porem era quase o contrario das "melhores praticas" em estas três disciplinas.

Assim naquele mesmo ano, uns 6 anos atras, fundei a AgileBrasil, uma comunidade de pratica e a Teamware do Brasil, uma empresa de consultoria, para ajudarmos a melhorar como se produz software no Brasil e a reinstalar o ware nas equipes e nas organizações, digamos aquilo que faria elas funcionar era esperado e não como estavam funcionando ate o momento, precisávamos aprender como mudar o paradigma, o mindset, a cultura, as suas regras e as suas praticas, e a vender isto para as empresas que não queriam ser mudadas e onde muitos dos tomadores de decisão eram os guardiaẽns do status quo...

Porem deu muito certo... com mais de 15.000 pessoas "evangelizadas", mais de 2.000 pessoas treinadas e mais de 150 equipes de desenvolvimento de produtos depois, e clientes como a Ericsson, Instituto Nokia de Tecnologia, Globo.com, InfoGlobo, IG, Zap e muitas outras, e depois de treinar e as pessoas que depois virariam os nossos "concorrentes" porem sem sabe-lo eram os nossos colegas neste objetivo maior e conseguimos juntos, mais separados, começar uma transição no mercado em larga escala, que acredito ser irreversível.

Na verdade, eu gostaria bem no fundo que a minha primeira startup tivesse sido um sucesso total e tivesse crescido muito, muito, muito e tivéssemos tido muito impacto no mundo inteiro, mais não tivemos e isso não aconteceu... talvez se tivesse nascido no Silicon Valley, ou tivesse mudado quando tive a oportunidade.

Mais comecei a me perguntar cada vez mais seriamente, o que poderia ter existido a uns 20 anos atras quando comecei que me permitiria ter pelo menos perdido menos tempo nos meus fracassos, me dado um pouco mais de direção de quem já tivesse tido bastante experiencia, e tivesse me permitido compartilhar minhas duvidas e com outras pessoas que também estivessem passando pelo mesmo que eu... talvez seja isso exatamente que tem San Francisco... um ecossistema rico, muitas pessoas fazendo coisas interessantes e compartilhando conhecimentos e historias, pessoas que cada uma com seu negocio, juntas parecem querer mudar o mundo e realmente conseguem.

O que eu gostaria de ter tido ou sido parte quando comecei a empreender e fazer projetos que me encurtasse um pouco o caminho e me ajudasse a me fazer as perguntas certas nos momentos certos para refletir sobre os assuntos que eu precisaria refletir?

Como poderia desenvolver um microecosistema que permitisse em meses mudar a cultura de umas 100 a 300 pessoas para que eles pudessem se tornar a semente de uma mudança muito maior?

Como poderia fazer isto a partir de todas as restrições que possuo atualmente, e virando um negocio que não só seja sustentável mais permita eu e minha família possamos viver dele, alem de muitas outras pessoas poderem se beneficiar e também viver dele no futuro?

Como permitir que dezenas de talentos necessários para desenvolver os novos negócios estejam disponíveis e possam ser remunerados no longo prazo?

A partir destas perguntas começou a ficar cada vez mais claro o que deveria ser a Germinadora e também o que NÃO deveria ser, e tenho me agradado muito com a ideia de que "O talento esta distribuído igualmente porem não a oportunidade" e que uma das coisas que podemos fazer é democratizar a oportunidade de criar uma Startup e colocar os teus talentos para trabalhar, mesmo não estando em Silicon Valley.


sábado, 4 de junho de 2011

Me preparando para ir para... onde eu não planejara... letting serendipity do it's job

Este é o primeiro post de uma serie cobrindo a viajem e entrevistas que fiz em Los Angeles, San Francisco e New York procurando entender melhor o que faz aqueles locais especiais em termos de startups de tecnologia.

A ultima vez que tentei, sim tentei, viajar para USA foi no dia 10 de Setembro de 2001 num vôo que saia de Guarulhos em São Paulo as 22:00hrs. para o aeroporto JFK em New York. Estaba tentando me recompor de uma quebra e meu irmão, que mora em NY, queria que o ajudasse e talvez ficasse por la ajudando na sua empresa.

Porem uma coisa me impediu de viajar, meu passaporte tinha vencido dois dias antes e fui impedido de fazer o checkin. Chateado fui dormir e acordei no dia seguinte com uma historia saída de um filme de guerra porem nos noticiários da TV, alguém tinha atirado um avião numa das torres gémeas. Meu vôo estaria chegando no JFK meia hora depois do primeiro impacto.

Isso foi quase 10 anos atrás, fiquei meio em choque e sem muita vontade de viajar para USA por um bom tempo e o interessante é que so voltei a viajar para la neste ano, umas semanas depois que o Osama Bin Laden foi morto numa operação militar que acabou com o mentor do atentado as torres.

Este ano recebi um convite para ir numa conferencia que pareceria bacana a LSSC 2011, Lean Software and Systems Consortium, já que utilizo muito de Lean e Kanban nos meus clientes achei interessante ir por la.

Porem meu passaporte estava vencido e meu visto para USA precisava ser reemitido, como meu passaporte é argentino precisei tirar um novo, e essas coisas tomam muito tempo, assim que comecei a fazer os trâmites la por Janeiro, consegui termina-los e receber o visto para USA na semana seguinte ao evento de LSSC na segunda semana de Abril.

Assim que sai do consulado feliz e triste me consolando que no próximo ano não teria problema para ir para este evento, fui tomar um café, e comecei a pensar na burrice que estava pensando, já que mesmo que não pudesse fazer a viajem que eu tinha planejado, poderia fazer outra que fosse tanto ou mais valiosa do que aquela...

Como na semana anterior tinha acabado de fundar a StartupBrasil e tinha colocado meu grão de areia no Geeks On Beer recebendo os Geeks on a Plane acabei imaginando se não seria legal ver o que estaria acontecendo em USA no cenário de startups... 

Em alguns minutos procurei eventos para esse mês e me deparei com exatamente o evento que eu deveria ter planejado ir e não o fiz, o Startup Lessons Learned 2011 e depois vi o Lean Startup Machine SF acontecendo no final de semana, peguei um táxi e decidi ir naqueles eventos e dar uns dias para a serendipidade fazer o seu trabalho.

O que eu gosto de estar aberto a mudança de planos é que as vezes, ou quase sempre o que tínhamos planejado talvez não seja o melhor e se estivermos abertos a replanejar baseado em novas informações do contexto, com o objetivo de obter mais valor daquilo que estarei investindo, seja tempo, dinheiro ou atenção, muito provavelmente o conseguiremos.

Como estava com vontade de ver meu irmão e checar como estaria a cena de startups em NYC, na mesma semana que o SLLConf acontecia em SF em NYC teríamos o TechCrunch Disrupt assim que marquei minha viajem para ir para SF e NYC.

Alguns dias depois estava conversando pelo Skype com Alisson Vale, um amigo e parceiro, e minha mulher me avisa que tinha comprado a passagem porem por um descuido comprou para LA, SF e NYC... ao que comecei a recriminar porque tinha feito isso. Alisson me pediu 5 minutos e voltou com o Pascal Pinck consultor da Growth Plus e organizador do Kanban Meetup de Los Angeles, e que depois de uma hora e meia de Skype decidi que a serendipidade estava fazendo seu trabalho nisto também, ele me receberia e faria um tour comigo por dois dias em LA para entender melhor a escena local e conversar com pessoas muito interessantes.

Falei para Barbara, minha mulher, que na verdade o erro da compra da passagem estava ok e que não precisaria se preocupar, estava tudo certo novamente.

Assim foi o inicio de uma viajem que eu não planejara, mesmo.

Nos próximos post vou continuar a contar o que aconteceu por la nos próximos blogs e postar os videos que fiz com gente como Eric Ries autor de The Lean Startup, Steve Blank autor de The Four Steps to Epiphany, Mitch Kapor (fundador de Lotus 123), Brant Cooper autor de The Entrepreneur´s Guide to Customer Development, Adam Wiggins co-fundador de Heroku, Joshua Kerievsky fundador de Industrial Logic, Matt Meeker co-fundador de Meetup.com e host do Dogpatch Labs de NYC,  alem de outras pessoas que estão fazendo coisas interesantes no mundo das startups.

domingo, 12 de dezembro de 2010

E se mudar o mundo pudesse ser um bom negocio?

Parece que existe uma idéia de incompatibilidad entre mudar o mundo para melhor e obter lucro, como se implicitamente lucro fosse uma coisa deplorável.

Você pagaria pela mudança?
Porem se uma mudança no mundo é necessaria para muitos então ela deveria ter valor, se tem valor então faria sentido pagar por ela, porem não faz muito sentido pagar por algo que quero que aconteça, porem não acredito que seja possível de acontecer.

Quanto você pagaria pela paz mundial?
Parece até engraçado perguntar... porem tem muita gente que deseja a paz mundial porem não pagaria nem um tostão por ela, porem somente com algumas poucas que pagam e pagam muito bem pela guerra mantém essa industria inteira funcionando.

So para aclarar eu sairia correndo se alguém me oferecesse pagar pela paz mundial...

Da para concluir que o bem é mais difícil de financiar que o mal. Parece que o bem precisa ser feito como hobby, algo que fazemos quando sobra tempo das nossas reais ocupações, porem o mal pode ser um negocio em larga escala, feito em tempo integral, amplamente financiado e lucrativo.

Fazendo da mudança um bom negocio
Não é de estranhar que muitos problemas que assolam a humanidade não recebam a atenção e os recursos necessários para ser solucionados.

Uma idéia surgiu a varios anhos na minha cabeça, e se fosse possível lucrar mudando o mundo, e se o processo de mudança pudesse ser financiado como qualquer outro processo produtivo que "agregase valor", poderíamos capturar muitas mais pessoas que poderiam se dedicar em tempo integral a esta tarefa sem precisar abdicar de ter uma vida "normal", poderiam ter sua subsistencia garantida, suas necessidades e desejos materiais atendidos enquanto estão ocupados mudando o mundo para melhor.

A uns 6 anos atras, muito fulo da vida pela incapacidade que eu estaba tendo de influenciar alguns gestores e executivos a organizar de forma diferente as suas equipes, praticas e cultura nos seus projetos de desenvolvimento de software acabei me decidindo a tentar resolver este problema na industria, com lucratividade, ai fundei a Teamware do Brasil que me permitiu falar e possivelmente influenciar mais de 15.000 pessoas e trabalhar intimamente com gestores para mudar os seus processos, cultura, praticas e organizações, colocando como minha missão pessoal e da empresa de "Fazer das abordagens ágeis as preferidas pelas empresas para produzir software no Brasil".

Hoje parece que estamos cada vez mais perto de que se concretize esta missão, precisaríamos de alguns números para mostrar quantos projetos e profissionais hoje utilizam metodos tradicionais e quantos metodos ágeis, e destes que dizem preferir Agile quantos deles realmente hoje estão caminhando para uma mudança profunda de paradigma ou simplesmente continuam a fazer tudo igual e o unico que mudaram é que agora micro-gerêncian colando post-its na parede.

Se alguma coisa mudou é a certeza dogmatica de que tentar mais, com mais força, do mesmo iria nos levar a algum lugar diferente do qual já tinhamos chegado. Precisabamos duvida suficiente para começar a explorar e investigar melhor o que funciona e o que não funciona, digamos nos tornar mais empiricos e menos dogmaticos. Provavelmente em alguns anos as pessoas simplesmente desenvolvam software e não seja necessario falar em Agile ou tradicional e simplesmente a industria tenha taxas de sucesso e fracasso comparáveis a outras industrias maduras.

Para mim, foi uma forma positiva de dar vazão a uma frustração enorme que eu carregava, uma forma de  fazer uma limonada com o limão que tinha nas mãos.

Então, dinheiro não é o enemigo?
Nos últimos 15 anos tenho empreendido e fundado ou co-fundado diversas empresas, e sempre que a empresa não teve lucro foi necessario fechar a empresa, demitir as pessoas, deixar de cumprir a nossa missão, etc. dessas experiencias entendi que o lucro é uma característica necessária para um empreendimento ser sustentável.

Um dia tentando consolar a minha filha, na epoca com 5 aninhos, que chorava inconsoladamente porque estávamos fechando a nossa empresa, e ela gostava de ir la brincar, falei que uma empresa era como um cachorrinho, precisávamos alimenta-la ou iria morrer, e dinheiro era o alimento, se não fosse alimentada morreria, ela entendeu e quase que me fez prometer para alimentar bem a próxima empresa para que ela não morra de fome a próxima vez.

Acredito que muitos problemas sociais não são resolvidos porque desde o inicio são trazadas estrategias não sustentáveis, pensei em fundar uma ONG ou uma associação, porem pensei que teríamos uma dificuldade imensa de influenciar gestores e organizações a mudar as suas praticas do dia a dia. Assim eu acredito que para ver mais mudanças no mundo precisamos pensar em como organiza-las para que sejam sustentáveis economicamente, não tendo como fim ultimo a geração de lucro e sim ter como fim a introdução de uma mudança no mundo porem tendo lucro como uma característica necessaria para permitir que pessoas possam se dedicar a isso.

Muita gente acha que o lucro é um mal em si mesmo, inclusive já escutei ainda citando a Biblia, porem o que a Biblia diz é que "O dinheiro é a causa de todos os males." porem o que esta escrito é "O amor ao dinheiro é a causa de todos os males.", ou seja ter o lucro como objetivo final e unico acima de qualquer outra coisa, lucro acima de qualquer coisa, com certeza ira gerar comportamentos disfuncionais e não sustentáveis a longo prazo.

Qual a diferença com um negocio normal?
A diferença é que você não esta tentando criar um negocio para si mesmo, e sim uma mudança estrutural em um ecosistema, seja uma industria, uma comunidade, uma cidade, um pais.

Normalmente não existe ainda demanda, não existem ofertas, os concorrentes provavelmente não sejam outras empresas e sim talvez modelos estabelecidos, associações de classe, paradigmas, praticas estabelecidas, etc.

Qualquer mudança é possível?
Não. Existem soluções que se encaixam na estrutura do ecosistema, elas são mudanças viáveis potenciais. Para que uma dessas mudanças seja possível, ela precisara de energia para mover o sistema para uma nova estrutura. A força que será liberada que permitira a mudança precisa existir dentro do sistema, uma empresinha não conseguira mobilizar o nivel de energia necessaria para que a mudança aconteça.

Que força pode ser mobilizada e que existe em muita abundância?
Frustração. Na estrutura atual da nossa sociedade, muitos desejos, sonhos, valores que individuos tem acabam sendo silenciados e isto gera frustração. Ou seja fontes de frustração existem em abundacia, porem frustração direcionada de forma positiva, para criar e não para destruir, para melhorar o todo e não melhorar somente para alguma parte.

O que impede a mudança?
Digamos que exista muita frustração para uma grande parte de um ecosistema, porem que essa parte seja grande em numero de individuos porem que não esteja envolvida no processo de tomada de decisões estruturantes do ecosistema.

Por exemplo desenvolvedores que estão insatisfeitos com a forma como projetos de desenvolvimento de software são gerenciados, porem eles não participam das decisões estructurantes do ambiente de trabalho onde eles irão trabalhar, e sim gestores de projeto, responsáveis pela definição dos processos de desenvolvimento, responsáveis pela definição de arquitetura, etc.

Eu chamo isto de incentivos cruzados, quem tem a dor e o interesse na mudança não tem influencia na tomada de decisão, quem toma as decisões estructurantes do ecosistema não sente a dor e tem incentivos na não mudança, ou seja existem incentivos para que as coisas (a estrutura do sistema) continuem do mesmo jeito que estão hoje.

Como iniciar a mudança num ecosistema?
Na verdade as sementes da mudança já existem dentro do sistema. Eu acho metáforas excelentes ferramentas para pensar. Encontrar a metafora certa ou ficar consciente sobre qual a metafora que estou usando pensar alguma coisa me ajuda a explorar os problemas e as soluções melhor.

Eu tenho imaginado mudanças na estrutura de um ecosistema como se fosse uma reação química, talvez seja porque vi varias vezes meu pai, que era químico, fazendo espumas a partir de resinas, e sempre essa reação que era quase magica começava quando ele introduzia um catalizador.

O interesante do catalizador era que ele em si não tinha energia, o que ele fazia era liberar a energia existente no material a ser transformado, e essa era a energia que sustentaria o processo de transformação. Um catalizador atua acelerando uma reação química, justamente abaixando os limites para que a reação aconteça nas condições existentes de temperatura e pressão, simplesmente pela adição do catalizador.

Eu creio que é possível acelerar mudanças possíveis, e ir dirigindo (talvez não seja exatamente a palavra) um processo de transformação desse tipo. Acredito que enfraquecendo as restrições, que atuam como amarras para o equilibrio atual do sistema possa ser possível, e canalizando a frustração para as ações necessárias para a mudança.

Normalmente estas restrições são restrições de paradigma, da forma como pensamos, assim é necessario enfraquecer as restrições mentais de alguns que acreditam que a mudança é impossível, e enfraquecer as restrições mentais dos que acreditam que a unica forma de fazer é do jeito que estão fazendo, se não deu certo precisa tentar com mais força.

Assim conforme atuamos como um catalizador, removendo ou abaixando as restrições que mantém a estrutura atual do sistema em equilibrio, o sistema começa a entrar num desequilibrio que assim que chegar no tipping point, ou ponto da virada, o processo simplesmente começa a ser irreversível.

O objetivo da mudança é desenvolver um sistema ao redor do velho sistema que torne o velho irrelevante.

Próximos passos
A Teamware do Brasil continuara a crescer e se expandir, já não mais como um catalizador, simplesmente como um agente de mudança e como um negocio mais tradicional já que agora existe demanda real no mercado, digamos um negocio um pouco mais tradicional, talvez precisemos mudar um pouco a nossa missão e alem de fazer das abordagens ágeis as preferidas, auxiliar a subir o nivel da industria para um novo patamar, isso pode ser interessante. Talvez seja também momento de começar a usar o que aprendemos para mudar a gestão e os processos em outras areas de produção de produtos baseados em conhecimento.

Porem naquela epoca que me decidi a escolher um enemigo e este era a forma como software era desenvolvido, e entendi que o gargalo era o paradigma de gestão para iniciar uma mudança, também imaginei que para o Brasil realmente ter vez numa economia baseada em conhecimento, fruto da transição da era industrial para a era do conhecimento o empreendedorismo como o conhecemos hoje no Brasil deveria ser um dos gargalos nesta transição, e geraria muito valor para toda a sociedade se fosse possível acelerar a transição e posicionar melhor o Brasil para os próximos 50 anos.

Com a emergencia do trabalhador do conhecimento, passamos a ter mudanças interessantes como a volta dos meios de produção para a mão dos trabalhadores, o que abre interesantes oportunidades e também problemas, já que a economia da era industrial tinha uma complexidade a gerir menor que uma economia baseada em conhecimento, muito mais segmentada, muito mais interconectada, onde menos capital seria necessario, é so olhar o movimento OpenSource, onde a mudança fosse continua. Esse ambiente seria quase hostil para grandes organizações como as conhecemos hoje, e teríamos crises constantes conforme as mudanças vão acontecendo, a velocidade e o custo de coordenação seriam insatisfatórios para manter as operações rentáveis. Assim acredito que a idéia de full employment, que tem menos de 100 anos, não seja viável para esta nova era, acredito que teremos muito trabalho, porem não facilmente coordenavel pela estrutura de grandes organizações, assim será necessario que voltemos a ter uma economia muito menos concentrada com milhões de pequenas empresinhas trabalhando em nichos pequenos demais para serem explorados por grandes empresas... porem nos últimos 100 anos ficamos incentivando todos os nossos trabalhadores do conhecimento a ir para escola e procurar um bom emprego...

Por isso, aprender a empreender em larga escala será o nosso proximo desafio, no proximo post que imagino vira em menos de um mês, vou explicar o que pretendo fazer para dar uma mexida no ecosistema e no pipeline de empreendedorismo, muito focado em aquilo que conheço em profundidade que é a industria de software, e como pretendo criar um ecosistema que permita fazer um bom negocio mudando o mundo.

sábado, 20 de novembro de 2010

O que RUP, CMMI e PMBOK são para 1% é irrelevante o que importa é o que significam para os outros 99% e que comportamentos esses significados geram

Este post era um comentario a um post do Peter Lupo tentando realmente colocar os pontos nos i's sobre Agile e "tradicional" que acabou ficando muito grande...

Muito do que esta sendo feito no movimento ágil tem a ver com engenharia social, não com debater conceitos de forma academica, é mais gerar comportamentos novos em pessoas que tem seus proprios conceitos do que seja PMBOK, RUP e CMMI. E que depois de fazer uma salada de conceitos acaba tendo dificuldade em entender onde estão as causas dos problemas e essa falta de claridade impede de efetivamente aprender é melhorar as praticas, processos.

Uma das estrategias usadas em engenharia social, e não no campo metodologico de produção de software, é o fato de polarizar criando coisas antagônicas Netscape vs. Microsoft, Microsoft vs. IBM, Linux vs. Microsoft, normalmente onde o novo entrante que precisa desplazar aquele que detem o status quo, onde normalmente o mais fraco em midshare se beneficia dessa polarização, porque as pessoas já sentiram as dores do conhecido e so tem idéia do que o tradicional é o velho que precisa ser substituido por algo novo e melhor.

Talvez você deva falar se na verdade essas técnicas são contraproduzentes ou não, mais tem que lembrar que a gente não esta no campo das metodologias puras e abstratas, estamos no campo de como "mudar" o comportamento de pessoas para se comportarem diferente, e para isso é necessario enfraquecer velhos paradigmas.

Em nenhum local você vai ver escrito no PMBOK exige um ciclo de vida waterfall, porem se você for no campo e falar com gestores de projeto reais você vai descobrir que talvez em 99,8% dos casos quando um gestor fala que ira se basear no PMBOK isso também implica implicitamente no uso de um ciclo de vida waterfall.

Em nenhum local do RUP fala para você que cada um dos artefatos precisa ser desenvolvido sequencialmente um depois do outro e terminados. Na verdade quem entende a natureza iterativa incremental do RUP sabe que os artefatos e modelos evoluem num processo iterativo baseado no RUP, porem se você for a campo e ver como as empresas tem implementado um processo baseado no RUP é basicamente usando conceitos de produção em massa, especialização do trabalho, segregação e sequenciamento de atividades, e cobrança pelo artefato de saída da atividade 'pronto'.

Jamas vi, exceto na minha empresa de usar uma parte do RUP de forma iterativa e incremental evoluindo os modelos de analise e design caso de uso por caso de uso, evoluindo os casos de uso de títulos a seções do manual do usuario.

Então como para a maior parte das pessoas RUP = Artefatos, PMBOK é igual a planejamento e controle de tarefas sequenciadas usando um modelo de ciclo de vida faseado (watefall) e como CMMI significa definir processos e fazer que as pessoas sigam os processos definidos, realmente é irrelevante o que realmente significam para 1% das pessoas que tem tempo de ler calmamente livros e mais livros enquanto a moçada tem que entregar para amanha.

Por isso gosto de Scrum, 3 papeis, 4 atividades, 2 metas = entregar e melhorar continuamente, digamos tem o tamanho que a capacidade de atenção das pessoas que trabalha na nossa industria entregando projetos tem, menos processo, menos bullshit, mais ação e mais resultado.

Pelo menos em muitas das organizações que eu tenho passado muito de tempo que era usado no almoço para falar ironicamente dos jefes, dos processos e procedimentos definidos por "alguém", o pessoal passa a usar o tempo para falar sobre os problemas que eles tem é como resolver-los. Esse é o tipo de comportamento que sem importar o "modelo" que você adote vai trazer resultados positivos.

Por isso mesmo que você esteja certíssimo, no final de contas é irrelevante, porque muito do que se esta discutindo nada tem a ver com exatidão acadêmica e sim como o trabalhador ou gestor medio se comporta no dia a dia.

Mais será que é necessario jogar o bebe com a agua? Normalmente a minha resposta seria não, porem neste caso diria que depende do que significa ficar com o bebe.

Se ficar com RUP, CMMI e PMBOK é continuar com especialização do trabalho, ciclos de vida waterfall, foco em artefatos ao invés de em produto final, gestão de atividades ao invés de gestão do resultado, definição de processos por pessoas aleias ao dia a dia então realmente diria melhor demonizar RUP, CMMI e PMBOK pela potencialidade de inhibir uma mudança de paradigma completa e conforme seja sentida necessidade de praticas avaliar quais dão melhor resultado e aplicar aquelas.

Uma das coisas que vejo é que dependendo do papel da pessoa e de quanto tenham interesse pessoal em algum conceito, por exemplo perder tempo investido em se aprofundar em algum assunto, elas desenvolvem perspectivas diferentes. Então vejo arquitetos tendo dificuldade de reconhecer conceitos de arquitetura emergentes, gestores tendo dificuldade de aceitar dinâmicas de auto-gestão em equipes, professores universitarios tendo dificuldade de reconhecer que aquilo que dogmaticamente ensinaram talvez precisaba ter sido testado mais empiricamente para ser depois reproduzido e ensinado em massa como verdade.

Então o meu discurso ira sofrer distorções pelo meu papel e meus interesses pessoais, por exemplo todo mundo sabe que tenho me colocado no papel de agente de mudanças e evangelizador de agile (antes de um colega me falar que o que fazia era agile, eu achava que o que eu estaba fazendo era simplesmente tentar focar em aquilo que tinha sido eficaz na pratica e descartar aquilo que tinha se mostrado ineficaz na pratica), e meu interesse pessoal é o de ver a industria de software saindo da era dogmatica para uma era onde as praticas estejam mais ligadas a sua efetividade no dia a dia para todos os players. Foi depois de refletir sobre o que me interesaba pessoalmente que decidi montar uma empresa que me permitisse me dedicar a aquilo que tinha interesse pessoal.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Sobre Educação 1.0 vs. Educação 2.0

Mito das universidades Top 10% - Auto Seleção
Será que as faculdades top 10% não auto selecionam pessoas que tem estrategias de aprendizado boas, e então na verdade as pessoas aprenderiam de qualquer forma a pesar do sistema de ensino da faculdade.

Então na verdade o mérito na verdade não é das faculdades mais sim dos indivíduos que se auto-escolhem para estar nelas.

BEUF (Big Education Up Front)
Creio que a educação formal esta desalinhada com a velocidade na qual o conhecimento evolui. Na verdade muitas faculdades estão formando uma massa de gente enorme bem preparada para o passado.

Educação empurrada / puxada
As faculdades / escolas usam um sistema de ensino empurrado, os alunos não fazem porque estão interessados, mais porque o processo empurra neles conhecimento. Caso incentivos extrínsecos para se formar diminuam, por exemplo título garante cada vez menos um futuro muito promissor, as pessoas tem menos incentivos para dar atenção e começam a criar ruido no sistema. Caso o sistema fosse puxado pelos alunos, eles acabariam tendo motivações intrínsecas, que faria que eles dessem atenção e poderia ajustar a velocidade e forma de aprendizagem com o melhor estilo para essa pessoa.

Teoria / Pratica separadas
Nosso cérebro tem estruturas separadas para processar teoria em frio e teoria em ação. Quando se incentiva a separação da teoria e da pratica, se esta incentivando pessoas que sabem as coisas mais não tem desenvolvidas as habilidades, nem tem a teoria introjetada em hábitos.

Disciplinas Separadas vs. Conhecimento Sistêmico / Multidisciplinar
O mundo é um sistema, o conhecimento é um sistema, cada vez mais interligado, cada vez mais dificil de separar, cada vez mais conhecimento ele precisa ser multidisciplinar, mais fica nos espaços que separam as disciplinas. Por exemplo ultimamente começou a se criar cada vez mais áreas de conhecimento que integram disciplinas, bio-quimica, etc.

No momento que precisamos aplicar o conhecimento para criar algo real no mundo não conseguimos faze-lo a menos que entendamos os diferentes aspectos do conhecimento e não disciplinas.

Sobre como as pessoas realmente aprendem
Uma das conceitos centrais na educação 1.0 é que ela ve o individuo como alguem que precisa ser preenchido com "conhecimento", os professores como pessoas que tem "conteudo" e que podem encher os alunos com ele.

Este paradigma é uma restrição para a eficazia do aprendizado, já que teorias modernas de educação porem porcamente adotadas de forma massiva, entendem a educação como um processo que o aluno faz, ele aprende, e para que exista aprendizagem real é necessario fazer coisas, não so ouvir.

Faculdade como sistema de castas

Para assegurar boa posição social tem sido usada a faculdade como um sistema de castas para separar a sociedade.

O capitalismo e a economia baseada em conhecimento e a falta de "mão de obra" especializada (ou seria melhor talentos, cérebros e intensões) vai criar uma crises no futuro que vai ser a força necessária para reformar a educação num sistema para desenvolver pessoas. Isso junto com a idéia de educação para toda a vida, just in time, empresas com gestão 2.0 que vão começar a gerir o fluxo de valor das pessoas dentro da organização e dentro da sociedade, de novo não porque são boazinhas, e sim porque vai ser necessário por questões totalmente econômicas.

As proximas revoluções na educação, na industria de software, na gestão, e outras que ainda veremos serão disparadas pelo componente economico, idealistas verão muitas das suas ideias sendo implementadas porque a economia vai requerer essa revolução para aumentar a sua eficazia.